Separatistas no Iêmen controlam quase toda a segunda maior cidade do país
Por France Presse
Forças separatistas no Iêmen tomaram nesta terça-feira (30) quase toda a cidade de Áden, a segunda maior do país, depois de três dias de combates contra as forças governamentais, tornando-se, assim, um ator-chave para o conflito.
Os combates com tanques e artilharia explodiram no último domingo entre separatistas do sul, partidários da independência, e forças do governo do presidente Abd Rabo Mansur Hadi. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) deu um balanço de pelo menos 36 mortos e 185 feridos em dois dias.
"Os separatistas cercaram o palácio e controlam a entrada principal", informou à AFP um oficial do Exército.
Segundo fontes militares, o palácio presidencial em Áden, capital do sul, continuava nesta noite cercada por combatentes separatistas que se apoderaram de quase todas as posições de seus oponentes na cidade portuária, com exceção do palácio (ao sul) e do distrito de Dar Saad (ao norte).
Pelo terceiro dia consecutivo, um grande número de civis ficaram em suas casas diante do medo de serem vítimas do fogo cruzado, e várias organizações humanitárias suspenderam suas operações.
O governo do presidente Hadi se instalou em Áden depois da tomada da capital iemenita, Sanaa, em setembro de 2014, por rebeldes houthis apoiados pelo Irã. As forças do governo combatem com a ajuda militar de uma coalizão árabe dirigida pela Arábia Saudita desde março de 2015.
Hadi está refugiado na Arábia Saudita, país fronteiriço com o Iêmen, mas seu premiê, Ahmed bin Dagher, e outros ministros estavam vivendo nestes últimos dias no palácio presidencial de Áden.
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| Separatistas do movimento Conselho de Transição do Sul erguem armas e bandeira nesta terça-feira (30) após tomar o controle do posto em Khormaksar, ao norte de Áden (Foto: Saleh Al-Obeidi / AFP) |
Segundo uma fonte militar, alguns ministros escaparam do palácio na noite de segunda-feira em embarcações. Quando chegaram a uma base da coalizão em Brega e lhes asseguraram que não lançariam nenhum ataque contra o palácio, decidiram retornar, informou uma fonte do governo.
Conflito complexo
A briga entre separatistas do sul e o governo, apoiado por Riad, deu uma dimensão ainda mais complexa ao conflito iemenita, que provocou, segundo a ONU, "a pior crise humanitária do mundo".
A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que intervém militarmente no Iêmen desde 2015, pediu na terça-feira um cessar-fogo imediato na cidade de Áden.
Até agora, os principais integrantes da coalizão - Emirados Árabes e Arábia Saudita - não intervieram militarmente em Áden para por fim aos combates.
A guerra no Iêmen deixou mais de 9.200 mortos e quase 53.000 feridos desde março de 2015. Não há solução à vista.
Movimento separatista
O movimento separatista do sul do Iêmen, que era um Estado independente antes de sua fusão com o Norte, em 1990, é muito poderoso. Até maio de 2017, era aliado do presidente Hadi.
A aliança do governo com os separatistas do sul começou a se complicar em abril, quando Hadi destituiu o ex-governador de Áden, Aidarus al Zubaidi, que no mês seguinte formou um Conselho de Transição do Sul, autoridade paralela controlada pelos separatistas.
Na semana passada, este conselho deu um ultimato a Hadi, a quem exige a destituição do premiê, Ahmed ben bin Dagher, e "mudanças no governo", acusado de corrupção.
O ultimato expirou no domingo e nesse dia explodiram os confrontos. Os separatistas enviaram reforços e em alguns bairros pareciam em melhor posição que as unidades governamentais, segundo moradores.
Fonte: AFP


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