Exército só tem recursos para até este mês, declara Gen. Villas Bôas
O Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, afirmou que o contingenciamento de 44% no orçamento previsto para esse ano permitiu manter a Força apenas até este mês. De acordo com ele, as operações na fronteira são as mais prejudicadas pela falta de recursos.
O orçamento desejado pelo Exército é de R$ 2 bilhões, mas este ano a Força vai receber menos de R$ 800 milhões. “Houve um contingenciamento de 44% que nos permitiu sobreviver até agora em setembro. Agora estamos em um ‘puxa e afrouxa’ com a área econômica do governo para tentar obter mais recursos que nos permita chegar até o final do ano”, disse em entrevista a Rede Globo na noite da última terça-feira, 19.
“Em consequência disso, nós demos início neste ano a um programa de racionalização do Exército: racionalização administrativa, diminuição do efetivo – temos 220 mil e vamos baixar para 200 mil”, disse o general. De acordo com o EB, o corte feito no orçamento da Força Terrestre foi de R$ 24,09 milhões.
Ainda segundo o Exército, a falta de recursos vai impactar diretamente os Projetos Estratégicos. “As iniciativas estratégicas do Exército serão afetadas pelos cortes e contingenciamentos orçamentários. O atraso de cronograma é apenas uma das várias consequências previstas. Há outras de maior impacto, tais como os reflexos na Base Industrial de Defesa, com a inevitável dispensa de mão de obra qualificada em tecnologias sensíveis, a impossibilidade de manutenção das linhas de montagem nas fábricas e a necessidade de repactuação de contratos celebrados”, divulgou em nota o Exército.
“A longo prazo, além das lacunas de capacidades necessárias às missões da Força, os diversos projetos passam a ser mais custosos pois há uma interrupção no desenvolvimento e acompanhamento de tecnologias que, ao serem retomados, tornam-se mais caros. As consequências de atraso e/ou interrupção estão presentes em quaisquer projetos, mas são muito mais graves e abrangentes quando se tratam de projetos de defesa visto que as especificidades desta área envolvem aspectos restritos a nichos de conhecimento não disponíveis no mercado comum”, completou a nota.
E, finaliza: “Outro fator relacionado ao tema é a imprevisibilidade da alocação de recursos. A incerteza da disponibilidade orçamentária, como a que se tem observado, gera um cenário caótico para o atingimento dos objetivos estratégicos do país”.


Nenhum comentário