Submarinos brasileiros são dotados com novos torpedos
A Marinha do Brasil (MB) planeja um exercício de emprego dos torpedos MK-48, novo armamento que está sendo instalado nos cinco submarinos da frota nacional. O treinamento tem o objetivo de permitir que os militares do Comando da Força de Submarinos observem o funcionamento do sistema e o desempenho do torpedo na prática.
“O último lançamento foi realizado em outubro de 2016, com sucesso, pelo submarino Tupi (S-30), durante a fase de conclusão dos testes de aceitação do sistema de combate. O exercício aconteceu nas proximidades do Rio de Janeiro”, contou o Contra-Almirante Oscar Moreira da Silva Filho, comandante da Força de Submarinos, sem precisar a data e o local do próximo treinamento de lançamento do torpedo.
Os dados coletados nesse tipo de exercício são submetidos à análise e compilação pelos militares da MB e aplicados no desenvolvimento da doutrina de emprego do torpedo. Essas informações são também compartilhadas entre os submarinistas em atividades teóricas, como o I Workshop Operativo do Torpedo MK-48, realizado em fevereiro. No encontro, os participantes puderam se atualizar em relação ao manuseio do torpedo MK-48, seu emprego em cenários de combate, seu modo de lançamento e de guiamento.
O Tupi (S-30) é o segundo submersível da esquadra da MB a concluir o processo de atualização do sistema de combate que permite o lançamento e o controle do torpedo MK-48. Esse equipamento foi adquirido da Marinha norte-americana em 2007 e passou a ser o armamento padrão dos submarinos brasileiros, substituindo o antigo torpedo MK-24.
O primeiro submarino a ganhar capacidade de emprego do torpedo MK-48 foi o Tapajó (S-33), em 2011. Em outubro daquele ano, o navio fez o lançamento de dois torpedos de exercício, os quais são reutilizáveis. Posteriormente, em 2013, o Tapajó (S-33) estreou o disparo de torpedos em águas internacionais, durante um treinamento de sete meses realizado com a Marinha dos Estados Unidos.
Conforme o modelo de gestão adotado pela MB, os submarinos são submetidos a um “sistema de manutenção planejada e preventiva de maneira a contar com uma disponibilidade de, aproximadamente, 70 por cento desses meios em plena operação”, declarou o C Alte Oscar. Os submarinos Tupi (S-30) e Tapajó (S-33) já concluíram o período mais recente de manutenção e revitalização. Agora é a vez do submarino Tikuna (S-34), que está no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), em fase de instalação do novo sistema de combate.
Máquina de combate moderna
O torpedo MK-48 é considerado uma das armas mais inteligentes utilizadas atualmente pela MB. Quando disparado, esse armamento sai com um fio que permite que a tripulação controle remotamente sua direção. Dotado de sensores acústicos, o torpedo é capaz de identificar e destruir alvos de superfície e outros submarinos.
Além desses projéteis, os submarinos brasileiros possuem capacidade de lançamento de minas de fundo MCC-23C. Com esse armamento, os submersíveis conseguem criar um campo minado em áreas sob o controle de um inimigo.
De acordo com a Estratégia Nacional de Defesa (END) brasileira, os submarinos são navios de guerra empregados como meios de dissuadir forças hostis nos limites das águas jurisdicionais brasileiras – área correspondente a 4,5 milhões de quilômetros quadrados, chamada de Amazônia Azul, por conta da diversidade natural e das riquezas que guarda.
Os submarinos também são empregados com o intuito de fazer a defesa das plataformas petrolíferas, das instalações navais e portuárias e dos arquipélagos e ilhas oceânicas nacionais. Entre outras capacidades, a END prevê ainda a possibilidade de participação da Força de Submarinos da esquadra nacional em operações internacionais de paz.
Submarinos brasileiros
Na atual frota de submarinos da MB, o Tupi (S-30) é o meio mais antigo, incorporado pelo Brasil em 1989. Tupi é também o nome da classe a que pertence tanto esse navio quanto outros três: o Tamoio (S-31), de 1994; o Timbira (S-32), de 1996; e o Tapajó (S-33), de 1999. Estes últimos foram desenvolvidos e construídos no AMRJ.
O Brasil possui ainda um submarino da classe Tikuna, igualmente fabricado nas instalações do AMRJ. O Tikuna (S-34) passou a integrar a MB em 2005 e, assim como os submersíveis da classe Tupi, tem propulsão convencional, quer dizer, usa diesel e bateria como combustíveis. Externamente, é também muito parecido com aqueles, mas, tecnologicamente, a classe Tikuna é uma versão aprimorada da Tupi.
Esses gigantes do mar são operados apenas por militares embarcados. “São militares que foram voluntários para o exercício da atividade e que passaram por um processo seletivo com exames psicológicos, físicos e teóricos”, detalhou o Contra-Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha.
Atualmente, a MB conta com cerca de 300 militares embarcados nos submarinos em operação, “além de outros militares e servidores civis, de diferentes profissões, que atuam no preparo instrucional das tripulações, no planejamento das operações, nas manutenções preventivas e corretivas, nos apoios de suprimentos alimentícios e de materiais sobressalentes”, completou o C Alte Rocha.

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